Carlos Brandão: Acesso à terra: garantia de direitos

Pelo Maranhão afora, tenho me deparado com muitas demonstrações de gratidão, essencialmente, por termos decidido pelas pessoas como prioridade. Todas as nossas obras e ações são pensadas no bem-estar do maranhense. Da capital às regiões mais distantes, que já receberam uma Escola Digna, por exemplo. Ou então que tiveram sua gente atendida com serviços básicos que antes não chegavam. E são muitos os relatos. Há poucos dias, em um evento onde entregamos 1.500 títulos de posse de terra, fui surpreendido com o abraço apertado que recebi de seu Manoel Ferreira, um trabalhador rural de 79 anos de idade que há 22 aguardava a regularização de suas terras. Junto com um forte aperto de mão, trouxe também palavras de agradecimento e de alívio pelo fim de uma espera que angustiava. Seu Manoel, pai de oito filhos, agora tem a posse de seu pedaço de chão onde, até hoje, planta macaxeira e milho. Confidenciou a mim que nem dormia direito e que, agora, iria pedir à esposa que, assim que estivesse dormindo, o acordasse para que ele tenha a certeza de que aquele papel na mão, aquele documento, não era apenas sonho e sim a realidade que tanto esperava.

Ouvir seu Manoel falando com o coração, é algo que só nos impulsiona. Imagino que, dentre as mais de dez mil famílias que também receberam seus títulos definitivos de terra, só em nosso Governo, haja histórias tão relevantes quanto. Como a da dona Aldenora, que também estava neste encontro e foi muito feliz quando lembrou a todos que sempre vale a pena lutar. Emocionada, disse que quando sua luta começou, em 1999, tudo parecia impossível. Agora, com a certeza de que aquele lugar é seu, a vida ganha um novo sentido.

O Maranhão é um gigante com mais de 331 mil km². Em extensão territorial, somos o segundo do Nordeste e o oitavo do país. Segundo o IBGE, temos a maior população rural do Brasil (em termos proporcionais) e, infelizmente, enfrentamos históricos conflitos de terra. Ainda é um problema que, com um trabalho planejado, organizado e alinhado com os municípios, aos poucos vai sendo equacionado. Apesar do muito que avançamos, precisamos continuar o trabalho e ampliar sua atuação. O Instituto de Colonização e Terras do Maranhão – Iterma -, tem sido nosso principal instrumento na corrida pela regularização fundiária, que precisa passar por algumas etapas difíceis, como a realização do georreferenciamento das áreas e o cadastramento de seus moradores. No modelo que adotamos, por meio de acordos de cooperação técnica, as prefeituras nos auxiliam nesse trabalho. Assim, estamos conseguindo avançar muito e acelerar a garantia do bem a quem dele tira seu sustento.
É importante que sigamos partilhando as terras para que mais pessoas tenham acesso a inúmeros direitos sociais, a crédito nos bancos e possam fortalecer nossa agricultura familiar. Com ela, já colocamos comida na mesa de muitos maranhenses. E vamos seguir multiplicando essas ações que levam, acima de tudo, dignidade para as mulheres e para os homens do campo, fazendo saltar o sorriso no rosto de muito mais “Manoéis” e “Aldenoras” neste nosso Maranhão.

*Vice-governador do Maranhão

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